Juli Ponce Solé e o Princípio da Juridicidade
Juli Ponce Solé e o Princípio da
Juridicidade
Ao longo do capítulo 7 “EU Law,
Global Law and the Right to Good Administration”, da obra do professor Juli
Ponce Solé, são abordados temas como a consolidação do direito à boa
administração como novo paradigma do Direito Administrativo, tanto no contexto
europeu como global. Esta reflexão é feita pelo professor à luz do princípio da
juridicidade.
O princípio da juridicidade,
evoluiu do princípio da legalidade, que se encontra disposto no artigo 3.º do Código
do Procedimento Administrativo, e reflete a subordinação da Administração
Pública à lei e ao direito. Enquanto o princípio da legalidade impunha apenas a
conformidade da atuação administrativa com a lei em sentido estrito, o
princípio da juridicidade representa uma evolução qualitativa, abrangendo todo
o ordenamento jurídico, a Constituição, o Direito da União Europeia, o Direito
Internacional e os Princípios Gerais do Direito. A juridicidade é, assim, o
fundamento e o limite da atividade administrativa, garantindo que o poder
público seja sempre um poder juridicamente vinculado. De acordo com o professor
Juli Ponce Solé, o controlo judicial não visa apenas a legalidade formal, mas
visa também a qualidade bem como a racionalidade procedimental da atuação
administrativa.
Tendo em conta este princípio, o
autor compreende a necessidade evolutiva da jurisprudência global, impulsionada
pela jurisprudência europeia e internacional.
Este fenómeno reforça a dimensão substantiva
do princípio, ao impor padrões de justiça e controlo de legalidade, mas suscita
problemas de legitimidade democrática e segurança jurídica. A juridicidade
corre, assim, o risco de se afastar do seu fundamento constitucional e
democrático. “Judicial pressure has overwhelmed the American system of
administrative law […]. The courts are establishing costly procedural burdens
[…].” (p. 136) Deste modo a juridicidade deve ser qualificada e competente o
suficiente de modo a não asfixiar a Administração, devendo esta ser equilibrada
de modo a criar uma harmonia entre o controlo existente e a eficiência. Assim a
existência de limites jurídicos e éticos à atuação administrativa é
indispensável.
Esta perspetiva traduz uma expansão
internacional do princípio da juridicidade: mesmo os Estados e organizações
internacionais estão vinculados a princípios de legalidade, proporcionalidade e
devido processo.
Em suma, o excerto da obra de Ponce
Solé demonstra que a juridicidade é o fundamento e o limite da boa
administração, do mesmo modo que o caminho do Direito Administrativo é o de
passar da legalidade formal à juridicidade substancial, em busca de uma
Administração de qualidade e de justiça.
Mariana Silveira n.º71764 PB16
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